terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Para não dizer, que nunca falei de família!

 Estou longe, muito, muito longe de onde costumo estar, mesmo assim recebo coisas legais e este e-mail, vem bem a acalhar no momento atual, pois tenho andado com vontade de escrever, mas devido a distância e as dificuldades de acesso neste mundo louco, meu tempo se tornou pequeno, para digitar tudo que se passa desassossegado aqui dentro, por isso... Divido com vocês.

"Família é prato difícil de preparar"

Família é prato difícil de preparar. São muitos ingredientes. Reunir todos é um problema, principalmente no Natal e no Ano Novo. Pouco importa a qualidade da panela, fazer uma família exige coragem, devoção e paciência. Não é para qualquer um. Os truques, os segredos, o imprevisível. Às vezes, dá até vontade de desistir. Preferimos o desconforto do estômago vazio. Vêm a preguiça, a conhecida falta de imaginação sobre o que se vai comer e aquele fastio. Mas a vida (azeitona verde no palito) sempre arruma um jeito de nos entusiasmar e abrir o apetite. O tempo põe a mesa, determina o número de cadeiras e os lugares. Súbito, feito milagre, a família está servida. Fulana sai a mais inteligente de todas. Beltrano veio no ponto, é o mais brincalhão e comunicativo, unanimidade. Sicrano, quem diria? Solou, endureceu, murchou antes do tempo. Este é o mais gordo, generoso, farto, abundante. Aquele o que surpreendeu e foi morar longe. Ela, a mais apaixonada. A outra, a mais consistente.
E você?  É, você mesmo, que me lê os pensamentos e veio aqui me fazer companhia. Como saiu no álbum de retratos? O mais prático e objetivo? A mais sentimental? A mais prestativa? O que nunca quis nada com o trabalho? Seja quem for, não fique aí reclamando do gênero e do grau comparativo. Reúna essas tantas afinidades e antipatias que fazem parte da sua vida. Não há pressa. Eu espero. Já estão aí? Todas? Ótimo. Agora, ponha o avental, pegue a tábua, a faca mais afiada e tome alguns cuidados. Logo, logo, você também estará cheirando a alho e cebola. Não se envergonhe de chorar. Família é prato que emociona. E a gente chora mesmo. De alegria, de raiva ou de tristeza.

Primeiro cuidado: temperos exóticos alteram o sabor do parentesco. Mas, se misturadas com delicadeza, estas especiarias, que quase sempre vêm da África e do Oriente e nos parecem estranhas ao paladar tornam a família muito mais colorida, interessante e saborosa.
Atenção também com os pesos e as medidas. Uma pitada a mais disso ou daquilo e, pronto, é um verdadeiro desastre. Família é prato extremamente sensível. Tudo tem de ser muito bem pesado, muito bem medido. Outra coisa: é preciso ter boa mão, ser profissional. Principalmente na hora que se decide meter a colher. Saber meter a colher é verdadeira arte. Uma grande amiga minha desandou a receita de toda a família, só porque meteu a colher na hora errada.
O pior é que ainda tem gente que acredita na receita da família perfeita. Bobagem. Tudo ilusão. Não existe Família à Oswaldo Aranha; Família à Rossini, Família à Belle Meuni; Família ao Molho Pardo,  em que o sangue é fundamental para o preparo da iguaria. Família é afinidade, é a  Moda da Casa. E cada casa gosta de preparar a família a seu jeito.
Há famílias doces. Outras, meio amargas. Outras apimentadíssimas. Há também as que não têm gosto de nada, seriam assim um tipo de Família Dieta, que você suporta só para manter a linha.  Seja como for, família é prato que deve ser servido sempre quente, quentíssimo. Uma família fria é insuportável, impossível de se engolir.

Enfim, receita de família não se copia, se inventa. A gente vai aprendendo aos poucos, improvisando e transmitindo o que sabe no dia a dia. A gente cata um registro ali, de alguém que sabe e conta, e outro aqui, que ficou no pedaço de papel. Muita coisa se perde na lembrança. Principalmente na cabeça de um velho já meio caduco como eu. O que este veterano cozinheiro pode dizer é que, por mais sem graça, por pior que seja o paladar, família é prato que você tem que experimentar e comer. Se puder saborear, saboreie. Não ligue para etiquetas. Passe o pão naquele molhinho que ficou na porcelana, na louça, no alumínio ou no barro. Aproveite ao máximo. Família é prato que, quando se acaba, nunca mais se repete.

extraido de (de "O Arroz de Palma”, de Francisco Azevedo) 

 Prometo retornar com mais tempo, quem sabe até comentar alguma coisa sobre este mesmo texto, mas por hora, apenas um Feliz Natal atrasado e um desejo de bom Ano Novo antecipado.

 Kissus

domingo, 12 de dezembro de 2010

Natal no mundo digital!



 Os tempos mudam, mas a intenção continua a mesma!

 Desde já, desejando a todos, um Feliz Natal

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Hoje o dia está assim, pesado na melhor das definições. Não há nada de interessante para se fazer, embora minha cabeça fervilhe de idéias a serem postas em prática, mas elas simplesmente não saem.

 Por isso achei por bem vir escrever, enquanto a minha lista de tarefas, domésticas, segue a acumular-se numa proporção gigantesca, mas me falta a vontade de iniciálas. Queria escrever algo inteligente, divertido, quem sabe até um pouco cástico, como as coisas que tem pipocado na net sobre os assuntos mais diversos: Rio e seus tiroteios, Sampa e seus problemas, o calor do verão que se avizinha; Mas nada me ocorre, ao menos nada que se pareça com inteligente, divertido ou cáustico ¬¬... Será que simplesmente não sei mais escrever?

 Acho que com o tempo, tenho pouco a pouco, perdido o jeito para a "coisa" sabem?! Antes, minha cabeça sempre fervilhava com idéias para resumos, aventuras, histórias e contos. Tudo parecia me evocar a alguma aventura não contada, todo fato narrado podia transformar-se rápidamente em uma narrativa épica e eletrizante, mas nos últimos tempos, o máximo que chego são a algumas linhas perdidas, depois de conversar muito com alguns amigos, e ainda assim, nada muito empolgante.

 No começo, acreditei ser apenas bloqueio de criatividade, depois culpei meus desamores, mas acho que a real motivação, desta minha falta de imaginação, seja simplesmente a velhice. E não me refiro a velhice do corpo, não, conheço muitos "velinhos" que são um show a parte em vivacidade, sagacidade e imaginação. Velinhos que deixariam Poe de calças arriadas no chão e o Verne de cabelos em pé. Resolvido o parâmetro de velhice, acredito que agora seja mais fácil prosseguir. A velhice que me acomete é o desgaste da cabeça, ou da alma para os mais românticos, nada parece ter o mesmo gosto ou a mesma importância, tudo parece desgastado ou velho, de certa forma puído de significados.

 Acho que assim como o ano que se esvai (e eu continuo tendo a sensação de que 2010 está sendo um suspiro involuntário) a velice se avizinha, seria esse sentimento de desuso, de descarte que as coisas velhas e inanimadas sentem, quando estão prestes a serem substituidas? O ano será substituido por um novo, as expectativas faram o mesmo... Mas e eu?

 Estou divagando, perdoem-me, não vim aqui para discutir sobre isso (discutir com quem, sua desmiolada?!?!!?) Vim aqui para tentar escrever alguma coisa interessante, mas acho que não será hoje - em verdade, não tenho feito isso a um bom tempo, podem dizer. Por isso vou me restringir a deixar uma sugestão fora de hora e de lugar; Leiam Brillat, a mim tem servido de inspiração de certa forma (tá, a quem eu quero enganar ¬¬) e tem me feito compania nessas noites insônes de primavera, enquanto o mundo lá fora pupula de criatividade.

 É isso, por fim, não escrevi nada de nada... Talvez apague esse post e substitua por algo mais interessante, não sei... Ou talvez simplesmente apague, sei lá.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Desejos


 Trocaria o sol, pela lua;
 Deixaria as amarras, marcarem meus pulsos;
 Fecharia os olhos, e diria sim, sem pestanejar.
 Tudo para pode teus lábios tocar
 Tuas mãos sentir e na tua pele desmanchar.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

♫♥♫♥♫♥♫♥

Essa semana passei com o coração apertado, uma angustia que a muito tempo não se assomava ao meu peito... Uma sensação de incorrigível perda e desalento.





"...Dê uma chance pra vida te mostrar
Um jeito menos doloroso de se despedir..."

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Passando

A primavera chegou e eu nada disse, Beltane se fez e eu nada escrevi. Estranho só me dar conta disso agora, embora o passar do tempo e das devidas datas, não me tenha passado desapercebido.

 Acredito que o ano encaminha-se para o seu fim (que novidade ¬¬) mas ainda assim, sinto como se ele nao tivesse realmente discorrido sobre mim, pode parecer surreal uma afimação assim, mas é exatamente como me sinto. Como se nada tivesse realmente acontecido.

 Essa sensação de que 2010 não passou de um suspiro involuntário (ou seria um murmúrio sentido?!) passou a me acompanhar com uma certa insistência nos últimos dias. De certa forma ainda me questiono o que realmente me leva a crer nissos, mas sinceramente não sei. Eu mudei, movi-me, modifiquei-me... Passei por cima de conceitos, que até então acreditava serem rígidos como aço, mas que se mostraram muito mais ideias utópicos do que conceitos práticos, em fim, acho que cresci um pouco mais.

 Conheci pesoas ótimas, cultivei grandes amigos (daqueles que ficam pra vida toda - XD Oi Clá, Raposa, Ícaro e Miguel!) mas ainda assim, sinto que tudo não passa de uma espécie de "estado comatoso". Como se todos esses quase 320 dias do ano não passasem de minutos (ou aquela sensação estranha de deja vu). Mas o mais engraçado de tudo é que, não mais me ocorre o porque desta sensação incômoda.

 Por algum tempo, acreditei que fosse devido a desilusões; depois cheguei a acreditar que fosse puro tédio... Mas por fim, não identifico o motivo real dessa sensação, mesmo assim o tempo segue passando, dando-me conta disso ou não. Não li praticamente nada esse ano, não estudei 1/5 do que eu poderia ter estudado, não fiz quase nada do que tinha me proposto a fazer (embora me lembre de um certo texto, onde eu me comparava a uma Phênix... ~.~ Desconcertante essa lembrança, devo confessar) Em resumo, é como se me sentisse em "STAND BY". Será que 2010 vai começar agora?

 Provávelmente não, visto que vejo a repetição do verão passado: Trabalho árduo, lugares lindos mas que pouco me tocam, um certo vazio inexplicável... Acho que é certo dizerem, que a partir do momento que nascemos, morremos um pouquinho. Trágico, sombrio mas profundamente verdadeiro. Desejo tantas coisas, todas elas fora do alcance dos meus dedos, acho que é por isso o apelido carinhosos de "vento brincalhão".

 Certa vez, me perguntaram: O que vc quer Elisa? - Lembro de dizer você... Depois, lembro de dizer o mundo. Mas quer saber, acho que não quero mais nada. Porque as vezes querer é poder e quando se pode, nada mais parece atrativo. Não tive quem quis, nem ganhei o mundo em uma bandeja, mas continuo desejando a ambos. Por isso, deixa o tempo passar... Vai que uma hora eu esqueço e passo a desejar outras coisas, menos improváveis ou mais viáveis, como o simples parar o tempo.

 Acho que perdi o "fio da meada" aqui; talvez seja justamente por isso que esta sensação de "Cadê 2010?" aida perdure em mim... Me perco fácil, deixo a mente vagar por lugares insólitos e quando me dou conta - puf -  lá se foi mais um ano que eu nem sei como passou. Vamos vêr se esses poucos dias que me sobram de 2010 ainda são aproveitáveis, quem sabe eu consigo algo memorável - tá, menos, ja fico contente com algo "lembráve".

sábado, 6 de novembro de 2010

Reflexões

As vezes, pensamos que nossas dores são demasiadas, nossos problemas os mais absurdos da vida... Quanta injustiça recai sobre nós sem aviso prévio, sem levar em consideração nossos cronogramas, necessidades, ânsias. Nos vêmos, como almas atormentadas por impasses indissolúveis e sem condições humanas de resolução.

 Afinal, porque perder horas admirando o céu azul, com o engarrafamento que se forma? Corra, corra, talvez você consiga evitar, atrasar-se para a novela das 8h. Quem se importa, que na primavera, os campos escurecidos pela noite, pululam de vida brilhante, no pulsar dos pirilâmpos que vagueiam aqui e acolá, sumindo para reaparecer num bailado ordeiro e magico, se 30min a mais de estacionamento pode sair uma exorbitância?!

 Sim, temos problemas horrendos. Contas a pagar, prestações de contas a dar, lamentações a fazer para ouvidos surdos que insistem em sorrir mas nada processar, somos imcapazes de olhar o que se mostra puro todos os dias, pequenos milagres que com o passar do tempo, são esquecidos, substituidos pelos martírios da vida. É, pobre de nós, adultos tolos que passamos a não vêr magia no dia, quando na verdade deveriamos afinar nossos sentidos com o tempo... Ao invéz disso, morremos cada dia mais, cada minuto mais... Quanta pressa.



 Ouça, veja, pense um pouco mais. Quem sabe assim, você volta a afinar seus sentidos adultos e vêr (ou dividir)a magia que se reflete nos olhos dos pequenos.

 Arve(Rafa)... Obrigada por mostrar o vídeo, amanhã vou acordar cedo, pra vêr o céu azul e quem sabe, fazer bolhas de sabão.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Braços de abraços

 Meus barços estão vazio...
 Acordo tarde e procuro entre os lençóis, onde estão os braços que tanto ânseio sentir?
 Olho para os lados e sei da distância, das incertezas, mesmo assim insisto em querer aqueles braços, que povoam os meus sonhos, fechando-se em torno de mim, num movimento perfeito. Teus braços fecham o meu corpo, assim como os meus envolvem o teu espaço, ficariamos assim grudados, como se essa fosse a única tranca que aprisiona duas almas para tornarem-se uma só.
 Será que teus braços ainda estão a esperar que meu corpo preencha este espaço que ainda está vazio?
 Penso nas palavras, relembro cada sílaba dita no calar da noite, cada suspiro dado e cada promessa feita, tudo dará certo, sua voz me diz no silêncio que fica entre os quilometros que nos separam dia a dia. Quero manter meus braços assim, vazios a tua espera, mesmo que fique só na promessa de um sonho, num encontro fulgurante, onde tudo é incerteza além da chama que nos consome.
 Sibilo teu nome entre dentes e arrepios, queria poder percorrer distâncias com a mesma velocidade do meu pensamento, mas ainda assim, titubeio ao ouvir-te dizer: Te amo... Meu coração suspende, meu ar falha e eu desfaleço. Será isso, tudo de novo? A distância, a ânsia, o espaço vazio até que por fim pereça.
 Te escuto, te sinto mesmo nunca sendo possível... Te quero, te preciso para voar alto com nossas asas.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Parabéns...

Parabéns para mim, parabéns pra você... Um ano de pato (ou seria pata?!)



 Lembro dessa música entre tantas outras, cantaroladas num quarto qualquer, numa penumbra qualquer...

"...E me diz: pra mim o que é que ficou?"